Usei o vaso sanitário. Caguei.
Estive também a ler um artigo muito interessante que vem numa Dica (esse reles pedaço de jornal à borla que dá tanto jeito para tirar a água de dentro das botas dos tropas...) sobre o Anuário de Vinhos 2007 da autoria de João Afonso. Passo a citar:
“Começa a ser hora de mudarmos o discurso de “o vinho está caro”. O que está caro é o vinho que todos querem comprar. São esses vinhos de que muito se fala e que poucos bebem que se tornaram responsáveis por alguns preços exorbitantes que reflectem, mais do que a qualidade, a procura que têm pelos consumidores com forte poder de compra – esqueça estes vinhos – pelo menos na maioria das suas compras. Eles não o “levam ao céu”, assaltam-lhe sem piedade a carteira e quando chega a hora da verdade não lhe dão muito prazer do que outros vinhos bem mais baratos”.
Desde já alerto as autoridades vinícolas para a seriedade deste caro escritor, tal como eu, mas com a vantagem de vender livros a gordos flácidos que têm a mania usarem o vinho como “tantum verde”, neste caso, amarelo ou vermelho...
Alerto também as autoridades sanitárias porque comi sopa de pedra ontem ao jantar e as minhas fezes vão a caminho da ETAR. Não digo qual porque senão descobriam onde eu moro e emitiam um mandato de captura.
João Afonso diz que começa a ser hora de mudarmos o discurso. Ele quer é que ande tudo bêbedo. Vinhos que muito se fala...
- Germén, ouviste falar no vinho que explodiu e matou 7 pessoas num supermercado?
- Epah, por acaso não ò Silócio.
Exalto aqui a acção subliminar de – esqueça estes vinhos – como uma bela forma de comandar as pessoas a deixarem de olhar para esses vinhos na prateleira. Mas ao mesmo tempo diz, “pelo menos na maioria das suas compras” para que nunca se deixe de comprar vinho na totalidade porque mesmo sendo mau vinho, ou vinho pop, alimenta a máquina vincula onde ele se insere naturalmente...
Claramente que nenhum vinho me “leva ao céu” da mesma forma que as cabeças de nabo não me levam ao inferno. Por acaso o alho leva-me ao W.C. e o feijão tem a mesma orientação.
O que eu não acredito é que um vinho me assalte. Ora, com franqueza...Os anúncios do Mini-Preço andam a mudar a imaginação das pessoas. Garrafas com uma faca empunhada a dizerem: - Passa para cá a carteira senão salta-me a rolha!
Imagino os gordos carecas, provavelmente gerentes de um balcão do Montepio Geral, com os genitais erectos quando bebem um copo de Porta da Ravessa e descobrem que não vão ter um orgasmo e têm um desgosto...Que vida infame.
Note-se que João Afonso nasceu em 1957, foi o primeiro bailarino do Ballet (que eufemismo triste, mas é como veio descrito...) Gulbenkian(...) (Como será ser o primeiro bailarino? Dançou tudo sozinho? Boa...)
Na capa do livro vem ainda o seguinte:
All the necessary information in english: Palavrões e calão vinícola
How to use this yearbook: Deve se usar como o Almanaque Borda d'Água
Tasting Notes: Como detectar notas falsas através da degustação
Price/Quality Relationship: Horóscopo vincula pela mão da Maia.
João Afonso - Genial.